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Ecos da Investidura: Paralelos Entre os Templos do Egito Antigo e os Templos dos Santos dos Últimos Dias
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Ecos da Investidura: Paralelos Entre os Templos do Egito Antigo e os Templos dos Santos dos Últimos Dias

Uma exploração aprofundada dos impressionantes paralelos arquitetônicos, simbólicos e rituais entre os santuários do Egito antigo e a adoração moderna no templo dos Santos dos Últimos Dias.

Temples.org Research May 29, 2026 14 min de leitura

A Busca Universal pelo Espaço Sagrado

Em todas as culturas e épocas, desde os mais antigos santuários do templo (opens in a new tab) até os espaços de adoração modernos, o templo tem se destacado como a expressão máxima do desejo da humanidade de se conectar com o divino. Em seus estudos marcantes de religião comparada, Mircea Eliade identificou o templo como o axis mundi — um pilar cósmico que conecta o céu, a terra e o submundo, transformando o espaço caótico em um centro sagrado (ver Por Que os Templos Importam (opens in a new tab)). Essa concepção de espaço sagrado é central tanto para a antiga civilização egípcia quanto para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Para ambas as tradições, o templo não é uma casa de adoração padrão, mas uma literal ‘casa de Deus’ (egípcio: pr-nṯr; SUD: Casa do Senhor) projetada para espelhar o cosmos e servir como uma interseção onde os mortais podem comungar com o eterno.

O Santuário Tripartite: Arquitetura da Ascensão

Um dos paralelos físicos mais marcantes é a organização espacial das estruturas sagradas. Os templos do Egito antigo (como Karnak (opens in a new tab) e Luxor (opens in a new tab)) foram dispostos em um eixo representando uma ascensão progressiva ao céu. Um iniciado primeiro entrava em um pátio aberto (acessível ao público), passava para um Salão Hipostilo coberto (representando o pântano primordial da criação, restrito a sacerdotes e iniciados) e, finalmente, chegava ao santuário interno ou Santo dos Santos (onde a estátua de culto residia, entrando apenas o Sumo Sacerdote ou Faraó). Os templos dos Santos dos Últimos Dias seguem uma estrutura tripartite semelhante: as áreas externas e a capela fazem a transição para as salas de iniciação e instrução (representando a criação e o mundo), que culminam na Sala Celestial — um espaço lindamente adornado representando a presença de Deus e o mais alto grau do céu, onde os membros se sentam em tranquila contemplação.

Pegadas Linguísticas: ‘Alargando o Coração’ na Adoração no Templo

A conexão entre os templos do Egito antigo e as escrituras dos Santos dos Últimos Dias se estende além da arquitetura e do ritual para a própria linguagem da adoração. Em Salmos 119:32, o Salmista escreve: ‘Correrei pelo caminho dos teus mandamentos, quando dilatares o meu coração’ (hebraico: tarḥîb libbî). Como o egiptólogo John Gee observou, ‘alargar o coração’ é um hapax legomenon hebraico (uma frase que ocorre apenas uma vez) com uma parte do corpo, que há muito intriga os tradutores bíblicos. No entanto, essa frase é uma tradução direta emprestada (calque) do antigo idioma do templo egípcio ꜣwi ib (literalmente, ‘alargar o coração’), que significa ‘ter alegria’ ou ‘regozijar-se’. Nos textos do templo egípcio — desde a Capela Branca de Sesóstris I em Karnak (opens in a new tab) até o templo de Ramsés III em Medinet Habu — a ‘expansão do coração’ (ꜣwt-ib) é a bênção específica de alegria e salvação (di-ꜥnḫ) concedida pelas divindades ao Rei ou iniciado quando são trazidos à presença divina no santuário. Esse idioma do templo egípcio é preservado no Livro de Mórmon, onde os escritores descrevem corações ‘inchados de alegria’ (Alma 17:29, Alma 19:13, 3 Néfi 4:33) e descrevem a palavra de Deus inchando no peito para ‘dilatar minha alma’ (Alma 32:28). Isso sugere que os descendentes de Leí, que mantinham registros em uma língua que incorporava ‘o aprendizado dos judeus e a língua dos egípcios’ (1 Néfi 1:2) e possuíam as Placas de Latão, carregaram esse idioma sagrado do templo egípcio para o Novo Mundo.

Purificação e Preparação: Lavagens e Unções

Antes de participar de ritos sagrados, os iniciados em ambas as tradições tinham que passar por purificação física. Nos templos egípcios, os sacerdotes e o Faraó passavam por ab, uma lavagem ritual em piscinas sagradas ou com água derramada de jarros, simbolizando a lavagem da mortalidade e o renascimento. Nos templos de Abidos e Luxor (opens in a new tab), relevos retratam divindades como Hórus e Thoth derramando água sobre o Faraó em um padrão de grade de símbolos de vida (ankh). Após essa lavagem, o iniciado era ungido com óleos sagrados (madjet) feitos de resinas e perfumes caros, consagrando-o para o serviço sagrado. Isso espelha diretamente a ordenança preparatória do templo dos Santos dos Últimos Dias conhecida como ‘iniciatória’, na qual os membros são simbolicamente lavados e ungidos com azeite de oliva consagrado, dedicando-os ao serviço de Deus e abençoando suas faculdades físicas e espirituais.

Vestimentas Sagradas: Vestindo o Iniciado

Após a purificação, o iniciado era vestido com vestimentas sagradas (opens in a new tab) especiais. No antigo Egito, os sacerdotes usavam vestes de linho branco puro, livres de produtos de origem animal, simbolizando a pureza. Iniciados de alto escalão e o Faraó usavam aventais, faixas e vestes cerimoniais específicas representando seu ofício e relacionamento divino. A adoração no templo dos Santos dos Últimos Dias apresenta da mesma forma o uso de roupas brancas sagradas. Os membros usam roupas brancas padrão para simbolizar igualdade e pureza e, durante a cerimônia de Investidura, vestem vestes, aventais e faixas cerimoniais específicas. Essas vestimentas são usadas como símbolos de autoridade sacerdotal, convênios feitos com Deus e um escudo contra o perigo espiritual, ecoando a natureza protetora e simbólica das roupas antigas do templo.

O Drama Ritual: Criação, Queda e Restauração

O drama ritual era um veículo fundamental para ensinar verdades sagradas na antiguidade. No Templo de Edfu (opens in a new tab), inscrições registram uma peça dramática — o Triunfo de Hórus — realizada anualmente. Esta peça retratava a criação do mundo, a perda da ordem através da rebelião de Seth (o mal) e a eventual restauração da ordem cósmica (ma'at) por Hórus. Em templos centrados em Osíris, como Philae (opens in a new tab), o ritual relatava a morte, ressurreição e ascensão de Osíris. Os templos SUD utilizam uma estrutura dramática semelhante durante a Investidura. Os membros testemunham uma apresentação do Plano de Salvação, retratando a criação da terra, a Queda de Adão e Eva, a luta contra as forças de Satanás e a restauração final da humanidade à presença de Deus através da Expiação de Jesus Cristo e da fidelidade aos convênios.

Sinais, Convênios e Palavras de Poder

Na crença egípcia, cruzar os limiares dos reinos celestiais exigia conhecimento específico. O Livro dos Mortos e o Livro da Respiração contêm instruções para que o falecido passe pelos guardiões em vários portões. O iniciado tinha que saber o nome do porteiro, recitar fórmulas específicas ou ‘palavras de poder’ (heka) e apresentar sinais ou gestos simbólicos. Estudiosos SUD notaram que isso corresponde ao processo de fazer convênios na Investidura, onde os membros fazem promessas solenes a Deus e recebem chaves, nomes e sinais simbólicos representando a autoridade e os convênios do sacerdócio. Essas chaves são usadas simbolicamente para ‘voltar à presença do Pai’, superando as barreiras da mortalidade e do adversário.

O Objetivo da Exaltação: Tornar-se um Osíris

O propósito final do antigo templo egípcio era a deificação — permitindo que o iniciado falecido transcendesse a mortalidade e se tornasse um Osíris, um ser divino governando nos reinos celestiais. Através dos ritos do templo, o indivíduo recebia a promessa de vida eterna, ressurreição física e a capacidade de habitar entre os deuses. Este conceito se alinha estreitamente com a doutrina dos Santos dos Últimos Dias da exaltação ou progressão eterna. Os Santos dos Últimos Dias acreditam que o objetivo final dos convênios do templo é preparar os indivíduos para herdar a plenitude da glória de Deus, tornar-se coerdeiros com Jesus Cristo e alcançar a divindade, desfrutando de famílias eternas e progressão contínua no reino celestial.

Difusão vs. Revelação: Interpretando os Paralelos

Como explicamos essas semelhanças impressionantes? Os estudiosos dos Santos dos Últimos Dias propuseram duas teorias principais. A primeira é a difusão: a ideia de que uma ordem de templo verdadeira e primordial foi revelada por Deus a Adão e Noé, e que, à medida que seus descendentes se espalharam, eles carregaram fragmentos dessa ordem ritual com eles, adaptando-a às mitologias locais, incluindo a do Egito. A segunda é a revelação: que Joseph Smith não copiou ritos antigos, mas sim restaurou um padrão universal de adoração no templo através da revelação direta de Deus, que naturalmente se alinha com os sistemas antigos porque Deus é a fonte de ambos. Como Hugh Nibley escreveu, os ritos egípcios representam um ‘espelho distorcido’ ou uma ‘imitação pagã’ da verdadeira ordem do sacerdócio, servindo como uma poderosa testemunha histórica da antiguidade das ordenanças restauradas do templo SUD.

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